|
Empresas estatais brasileiras como plataformas para a IIRSA
A política externa do
Brasil e as propostas alternativas de integração latino-americanao
Helder Gomes
Introdução
O termo integração internacional tem sido comumente relacionado aos
acordos comerciais e de cooperação para os investimentos estrangeiros como
face absoluta de um movimento natural e inexorável de intercâmbio
econômico entre as nações. Com a propagação dessa visão obtusa, foi
possível nas últimas décadas fomentar a idéia da necessidade da abertura
comercial e da livre mobilidade de capital, mas, ao mesmo tempo, da
urgência da integração regional. Aparentemente paradoxais esses dois
movimentos propostos encerram uma das faces das contradições do capital na
atualidade. O que se pretende com este texto é, em desnudando a natureza
desse esforço de integração econômica e alguns de seus efeitos sobre o
mundo do trabalho, apresentar alguns de seus mecanismos de mistificação: a
idéia de que a integração regional proposta é a melhor maneira de atender
a todos os interesses em jogo.
Uma pergunta que motiva essa discussão é saber se os acordos bilaterais e
multilaterais que o governo brasileiro tem realizado têm efetivamente se
voltado, ou não, para a redução da superexploração do trabalho no Brasil e
na região latino-americana. Outra questão seria avaliar em que medida as
agências oficiais de fomento no Brasil estão orientando suas linhas de
financiamento para reafirmar os projetos de manter ou até de ampliar as
relações de subordinação do país, no sentido de sua consolidação como
nação produtora de matérias-primas para exportação. Numa outra linha, um
problema também primordial seria saber se as atuais orientações
estratégicas das empresas públicas e dos bancos oficiais, nos
investimentos diretos ou no financiamento de investimentos de terceiros no
exterior, consolidam as linhas tradicionais da função subimperialista do
Brasil, especialmente na América Latina.
Olhando a história recente do país, dos últimos treze anos, parece ficar
nítido que as posições oficiais estão longe de questionar a legitimidade
dos contratos e dos acordos multilaterais que cumulativamente vêm
construindo a atual situação de subordinação internacional. Muito ao
contrário, tudo que se houve e se lê sobre as relações internacionais do
Brasil apontam para a promoção de boas relações com as nações dominantes,
reafirmando todos os contratos e os acordos celebrados nas reuniões de
cúpulas, bem ao gosto dos planos traçados pelas agências multilaterais
(BM, BID e FMI), controladas diretamente pelos Estados Unidos.
Este artigo procura apresentar esse debate focando a atenção na posição
assumida por empresas estatais brasileiras na execução da Iniciativa para
la Integragración de la Infraestructura Regional Suramericana (IIRSA). A
IIRSA é orientada e financiada pelo Banco Interamericano de
Desenvolvimento (BID) e por outras instituições multilaterais, tendo o
Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), no Brasil,
como principal plataforma regional de fomento. O objetivo da IRRSA é a
integração física da América do Sul visando à realização dos Tratados de
Livre Comércio (TLC) orientados pelos Estados Unidos. Seus principais
instrumentos vinculam-se à articulação de interesses de grandes empresas
multinacionais de óleos combustíveis e gás natural, de energia elétrica,
de telecomunicações e de construção (barragens, hidrovias, rodovias,
ferrovias etc.).
O texto está organizado em quatro partes. Primeiro, aborda as propostas
imperialistas de integração internacional e sua relação com a necessidade
da superexploração do trabalho nos países dependentes, como resultado da
exigência de compensação aos empreendimentos exportadores, desfavorecidos
pela degeneração dos termos internacionais de troca. Na seqüência trata da
posição adotada pelas empresas estatais brasileiras, com especial atenção
para os projetos de infra-estrutura (Transporte, Energia e
Telecomunicação), envolvendo grandes volumes de recursos públicos para a
promoção de investimentos privados voltados para as propostas de
integração e de realização dos tratados de livre comércio. Nas duas
últimas partes do texto são abordadas as condições políticas internas para
a sustentação no Brasil das propostas imperialistas de integração
regional, inclusive com uma breve avaliação da posição assumida por
lideranças sindicais, procurando apurar a possibilidade de se formular e
realizar alternativas para uma outra integração.
O controle imperialista
Do que consistem os movimentos de liberalização com integração regional na
América Latina? A formação de grandes blocos comerciais significa, na
verdade, a proteção do capital organizado nas grandes potências mundiais,
em ferrenha competição, num contexto em que as agências multilaterais
controladas por essas mesmas nações pregam o livre comércio e a ausência
de controle sobre fluxos de capital, especialmente nas relações
internacionais dos países dependentes. Em outras palavras, todo o esforço
de integração é imposto pela necessidade de controle dos movimentos do
capital pelas potências imperialistas, mas, que não pode aparecer como
tal. Não se trata de promoção do livre comércio, mas, tem que aparecer
como se fosse, no sentido de legitimar politicamente as conseqüências dos
esforços de integração e toda a hierarquia de subordinações que os acordos
de cooperação impõem.
Contudo, não se trata apenas do controle imperialista sobre os fluxos de
comércio e de investimentos, mas, da disputa pelo comando de todo o
processo de acumulação. Isso significa controlar de forma centralizada a
divisão internacional do trabalho, controlando o processo de difusão
tecnológica o que, por si, impõe um regime de monopólio da produção,
determinando limites para que os países tardiamente industrializados
produzam bens e serviços de alta tecnologia, mantendo-os apegados ao
processamento de insumos industriais em larga escala e à produção
industrial em regime de maquilagem (a simples montagem de kits
pré-fabricados). Mas, parece nítido que esse regime de desenvolvimento
desigual não é mantido à força:
“De fato, à medida que o mercado mundial alcança formas desenvolvidas, o
uso da violência política e militar para explorar as nações fracas se
torna supérfluo e a exploração internacional pode descansar
progressivamente na reprodução de relações econômicas que perpetuam e
ampliam o atraso e a debilidade dessas nações” (MARINI, 2000: 119).
Não se trata de um processo simples este de manter a acumulação
capitalista sob bases econômicas tão desiguais. O monopólio da produção de
determinados bens e serviços implicam consequentemente no intercâmbio
desigual e, inclusive, na deterioração cumulativa dos termos de troca
entre as nações em desfavor daquelas tardiamente industrializadas.
“[...] o mero fato de que umas produzem bens que as demais não produzem,
ou não o podem fazer com a mesma facilidade, permite que as primeiras
eludam a lei do valor, isto é, vendam seus produtos a preços superiores a
seu valor, configurando assim um intercâmbio desigual. Isto implica que as
nações desfavorecidas devam ceder gratuitamente parte do valor que
produzem. E que esta cessão ou transferência se acentue em favor daquele
país que lhes vende mercadorias a um preço de produção mais baixo, em
virtude de sua maior produtividade. Neste último caso, a transferência de
valor é dupla, mesmo se não necessariamente apareça assim para a nação que
transfere valor, já que seus diferentes provedores podem vender todos a um
preço, sem prejuízo de que os lucros se distribuam desigualmente entre
eles e que a maior parte do valor cedido se concentre em mãos do país de
produtividade mais alta” (MARINI, 2000: 121).
A forma mais eficiente de manter esse processo de acumulação diferenciada
é compensar o capital que opera nas nações dependentes com mecanismos
políticos e ideológicos que vão permitir a superexploração do trabalho.
“O que aparece claramente, então, é que as nações desfavorecidas pelo
intercâmbio desigual não buscam tanto corrigir o desequilíbrio entre os
preços e o valor de suas mercadorias exportadas (o que implicaria num
esforço redobrado para aumentar a capacidade produtiva do trabalho), mas
compensar a perda de renda gerada pelo comércio internacional, através do
recurso a uma maior exploração do trabalhador” (MARINI, 2000: 122).
Posto dessa forma é possível compreender que o controle imperialista dos
movimentos do capital acaba regulando as diferentes taxas de exploração.
Garantem-se, assim, as condições para a apropriação centralizada da
mais-valia produzida em cada país. A elevação da produtividade nos países
exportadores de matérias-primas promove as condições para a redução dos
custos de produção nas grandes potências industriais: seja diminuindo os
preços dos alimentos e de alguns outros bens de consumo das classes
trabalhadoras, proporcionando a produção de mais-valia relativa; seja
reduzindo os preços dos insumos industriais. Tomado como um todo, esse
sistema de relações internacionais exige a superexploração do trabalho, no
sentido de compensar a redução das taxas de lucros daquelas empresas
exportadoras que não conseguem colocar no mercado internacional suas
matérias-primas com preços mais vantajosos, quando comparados aos preços
dos bens e serviços produzidos nas nações completamente industrializadas.
As propostas de integração em curso estão assim inseridas nesse processo
de apropriação de riquezas produzidas em todo o globo por um número
reduzido de blocos de capital. Assim, a competição pelo controle sobre os
processos de integração regional significa garantir a apropriação pelos
blocos de capital, que se organizam em cada uma das grandes potências do
capitalismo mundial, de um volume maior das riquezas produzidas nos
territórios nacionais subordinados. Mas, isso não é tudo.
A superexploração do trabalho exigida pela competição internacional foi
sendo exacerbada ainda mais na medida em que o capital especulativo foi
assumindo um papel dominante nas decisões políticas e econômicas em nível
mundial. Cada vez mais, nos últimos trinta anos, o capitalismo mundial foi
reproduzindo uma grave crise estrutural, onde os níveis de investimentos
são relativamente baixos e a transferência do comando da riqueza produzida
no globo, via especulação financeira, impõem um novo regime de acumulação.
Essas operações especulativas são abastecidas continuamente pelas dívidas
públicas das mais diversas nações do planeta, a partir do pagamento de
juros, que concorrem com grande vantagem com as demais despesas dos
orçamentos dos respectivos Estados nacionais, reduzindo, assim, a
capacidade de autofinanciamento de políticas públicas, com destaque para
os gastos sociais. Em países como o Brasil, por exemplo, os juros
crescentes são pagos com parcelas significativas dos impostos cobrados
direta e indiretamente das camadas assalariadas, que vêem seus salários
suprimidos por uma carga tributária agigantada nas últimas décadas.
Mas a superexploração provocada pelo financiamento da especulação possui
outras faces. Cabe destacar que, na medida em que cortam os gastos
públicos com educação, saúde e previdência, por exemplo, para garantir o
pagamento de juros da dívida pública, as camadas trabalhadoras são
forçadas a financiar diretamente com seus salários os serviços negados
pelo Estado, a partir das mensalidades que pagam às redes particulares de
ensino, aos planos de saúde e aos fundos de previdência complementar. Ou
seja, a formação e a qualificação do trabalho, bem como a proteção social,
também passam a ser financiadas diretamente pelos salários das famílias
trabalhadoras, com o afastamento gradativo da participação do Estado, que
falha inclusive na regulação da qualidade desses serviços privados.
Trata-se, assim, de um modelo que se alimenta por si e as propostas
oficiais de integração física e comercial se inserem nesse processo. Os
acordos pela renegociação das dívidas dos países dependentes acabam na
reafirmação dos projetos de integração regional impostos pelos países
credores, gerando um encadeamento hierárquico de subordinações. Tudo isso
é disputado politicamente em nível internacional e cada vez menos as
nações devedoras tem condições de garantir algum nível de soberania em
suas decisões internas sobre políticas macroeconômicas e sobre as
políticas de desenvolvimento, o que exige o afastamento de seus
governantes cada vez mais das bases nacionais que os elegeram. São raros
os casos em que lideranças populares eleitas para os maiores cargos das
nações dependentes conseguem enfrentar esse sistema de integração
subordinada e se voltar para reduzir a superexploração das classes
trabalhadoras de seus países.
Instrumentos da subordinação
O neoliberalismo alterou a forma como o Estado brasileiro cumpre a sua
tradicional função subimperialista na América Latina. Bem adequados às
estratégias traçadas pelas agências multilaterais (FMI, BM, BID etc.)
controladas pelos Estados Unidos, as empresas estatais brasileiras ganham
uma nova dimensão no novo arranjo geopolítico que envolve os planos de
integração regional das Américas. Nos últimos anos uma parcela
interessante dos movimentos sociais brasileiros passou a se empenhar no
estudo dessas relações do aparato estatal na consolidação dos tratados de
livre comércio, especialmente a partir da formação da Rede Brasil sobre
Instituições Financeiras Multilaterais (www.rbrasil.org.br). O trabalho
desenvolvido em rede tem trazido para um público afastado da aridez do
debate das relações internacionais a oportunidade de conhecer mais de
perto as relações das empresas estatais brasileiras na consolidação da
Área de Livre Comércio das Américas (ALCA). Mais que isso, essa proposta
de investigação compartilhada pelos movimentos sociais pode potencializar
ainda mais a formulação de propostas alternativas de integração regional.
Essa nova abordagem do problema contribui para uma visão afastada daquela
apresentada nas propagandas sobre a promoção do livre comércio. Tem sido
possível perceber, por exemplo, que a subordinação da política externa de
países como o Brasil aos planos definidos nas agências internacionais de
fomento determina um quadro de transferência de riquezas com base no
extrativismo dos recursos naturais, na superexploração do trabalho e na
degradação ambiental, com repercussões dramáticas sobre a vida social.
Aprofundando as investigações observa-se que as iniciativas para a
integração das Américas, propostas pelas agências multilaterais, estão
articuladas pela intervenção de várias instituições, no sentido de criar
as condições para uma divisão internacional do trabalho, controlada pelas
nações do centro imperialista, assentadas nos seguintes eixos básicos:
a)
A base da intervenção está planejada numa agenda de integração física,
infra-estrutural, centrada em grandes projetos de transporte multimodal,
energia e telecomunicações, que permita a livre circulação de mercadorias
entre vários pontos do território latino-americano, numa rede de
inter-relações voltada para a produção de insumos básicos e para a
montagem de produtos finais pré-fabricados e destinados à exportação;
b) Fomento aos investimentos privados, especialmente, na produção
siderúrgica e mineral, assim como na produção de alimentos e insumos
básicos controlados pelas multinacionais do agronegócio exportador
(celulose, soja, entre outros);
c)
Controle sobre a Amazônia e demais florestas tropicais, que possuem
reservas hídricas, grande biodiversidade e importantes jazidas minerais.
Nesse contexto, os movimentos sociais organizados em rede estão desnudando
a IIRSA e qualificando-a como um dos planos mais audaciosos colocados em
marcha com financiamento multilateral. Para a militância da Rede Brasil, a
IIRSA seria a versão sul-americana do Plano Puebla Panamá (PPP), aquele
colocado em prática com vistas à integração infra-estrutural da América
Central e, com sua realização, estaria sendo consolidada a integração
física fundamental para os tratados de livre comércio e para a formação
definitiva da ALCA no longo prazo. O PPP foi anunciado em fevereiro de
2001, para abranger cerca de nove estados mexicanos (Campeche, Chiapas,
Guerrero, Oaxaca, Puebla, Quintana Rôo, Tabasco, Veracruz, e Yucatán) e
mais sete países da América Central (Belize, Costa Rica, El Salvador,
Guatemala, Honduras, Nicarágua e Panamá). Tal posição tem sido
compartilhada por movimentos sociais de outros países da região, como pode
ser observado numa entrevista recente da colombiana Margarita Florez, do
Instituto Latinoamericano de Servicios Legales Alternativos:
“Um papel outorgado pelos governos, em especial órgãos bancários regionais
e sub-regionais, para financiar o que se chama integração. A integração,
até agora, está calcada, principalmente, em projetos de infra-estrutura,
como o Plano Puebla Panamá. É um processo desenvolvido entre governos e
instituições multilaterais. Há pouca participação da sociedade civil, não
temos acesso a informações completas. As instituições multilaterais têm
que alocar seu dinheiro, os governos querem fazer as suas obras; há grande
ambição no desenvolvimento com base nas grandes obras. Há o discurso de
que as obras, por si só, irão colaborar para o crescimento. Talvez não
haja uma integração, mas uma conexão de alguns lugares da região. Há
apenas o discurso de integração. O que pedimos é mais transparência nas
decisões de investimentos das instituições multilaterais. Esses
investimentos geram maior dívida externa, por exemplo. [...] O atual
governo colombiano está desenvolvendo um plano para unir o Plano Puebla
Panamá com a IIRSA. Ele é visto como uma fonte de desenvolvimento. O
governo aposta que devemos, por nossa posição estratégica, ser a porta da
América do Sul frente à América Central. Sei que há um departamento no BID
que se encarrega do Plano Puebla Panamá e que o plano tem recebido muitas
críticas do movimento popular da América Central, o que tem gerado
obstáculos ao seu avanço.” (IBASE, 2006).
Um material gráfico elaborado pela Rede Brasil para militantes dos
movimentos sociais também reflete a dimensão da IIRSA neste momento
estratégico de definições sobre o futuro da América Latina:
A IIRSA seria implementada dentro de uma nova concepção de integração
regional denominada pelo BID de “novo regionalismo”, baseado no mercado
externo, com as seguintes características: abertura para os mercados
mundiais; promoção da iniciativa privada; e a retirada do Estado da
responsabilidade com a atividade econômica direta. Para esse novo
regionalismo se concretizar fazia-se fundamental um continente com sua
infra-estrutura física integrada (SAID, 2005: 33).
A construção/integração de modais de transportes terrestres, aéreo e
hidroviário está entre os planos mais controvertidos da IIRSA por seu
impacto local e por sua abrangência dentro das concepções da América do
Sul como uma grande plataforma de exportações. Os principais objetivos da
integração multimodal dos transportes é a criação de corredores de
exportação de alta eficiência, gerando um encadeamento da logística de
transportes junto aos clusters exportadores. A proposta de interconectar
vários dos principais rios latino-americanos está entre as mais ousadas
dentro da IIRSA, pois, significa abrir uma rota de navegação desde o
Orinoco, passando pela Amazônia, até a Bacia do Prata. Tal perspectiva
está combinada com a construção de grandes represas hidrelétricas na
Amazônia, criando, assim, um complexo que une a produção de energia
elétrica ao transporte hidroviário, especialmente nos rios Madeira, Mamoré,
Beni e Madre de Dios.
Realizar planos de tal envergadura, como os previstos na IIRSA, requer um
aparato institucional e uma rede de financiamento de grande dimensão. A
articulação de seus principais instrumentos ocorreu a partir de uma
reunião de cúpula, realizada em Brasília, entre os dias 30 de agosto e 1º
de setembro de 2000, durante as comemorações dos 500 de descobrimento do
Brasil, com a presença dos presidentes dos países da América do Sul. Nesse
encontro ficaram definidas as agências multilaterais que comporiam a base
de financiamentos e de apoio técnico: o BID (Banco Interamericano de
Desenvolvimento), a CAF (Corporação Andina de Fomento); o FONPLATA (Fundo
de Desenvolvimento da Bacia do Prata) e o Banco Mundial. Os princípios
orientadores da execução da IIRSA, que constam do “Comunicado de Brasília”
(2000), passariam por:
a) Um regionalismo aberto, concebendo a América do Sul como um espaço
plenamente integrado, sem barreiras comerciais, formando uma só economia,
fundada em atividades exportadoras;
b) Definir Eixos de Integração e Desenvolvimento (EID) a partir da
identificação de setores produtivos multinacionais de alta competição em
nível internacional, com base num padrão mínimo comum de qualidade dos
serviços de infra-estrutura (Energia, Transporte Multimodal e
Telecomunicação) e de apoio aos investimentos privados em cada eixo de
integração: Eixo Andino (Bolívia, Colômbia, Equador, Peru e Venezuela);
Eixo Andino do Sul (Argentina, Bolívia e Chile); Eixo de Capricórnio
(Argentina, Brasil, Chile e Paraguai); Eixo do Amazonas (Brasil, Colômbia,
Equador e Peru); Eixo do Escudo Gayanés (Brasil, Guiana, Suriname e
Venezuela); Eixo do Sul (Argentina e Chile); Eixo da Hidrovia
Paraguai-Paraná (Argentina, Bolívia, Brasil, Paraguai e Uruguai); Eixo
Interoceânico Central (Bolívia, Brasil, Chile, Paraguai e Peru); Eixo
Mercosul-Chile (Argentina, Brasil, Chile, Paraguai e Uruguai); e, Eixo
Peru-Bolívia-Brasil;
c)
Sustentabilidade econômica, social, ambiental e político-institucional;
d)
Aumento do valor agregado da produção e intensificação do uso de
tecnologia da informação;
e)
Padronização das normas institucionais de regulação das atividades
privadas e de planejamento entre os países membros;
f)
Coordenação público-privada dos projetos de integração, na busca de uma
liderança compartilhada entre governos e empresas, visando fórmulas
inovadoras de elaboração, financiamento e execução de projetos.
Além das agências multilaterais o esquema internacional criado para o
financiamento dos projetos operacionais da IIRSA prevê um papel especial
para as agências de fomento de cada país da região. No Brasil, por sua
posição geopolítica estratégica, o governo federal tem atuado no sentido
de garantir a execução dos cronogramas da IIRSA, atendendo aos apelos das
multinacionais da construção civil, da produção de semi-elaborados e do
agronegócio exportador. Essa posição se explicita na aprovação de novos
aparatos normativos, como é o caso da regulamentação das Parceiras
Público-Privadas, mas, também em grandes investimentos públicos, seja
diretamente pela ação dos ministérios, na contratação de empreiteiras,
seja no financiamento de obras executadas em convênios com os governos
estaduais e prefeituras.
O Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) se propõe a
funcionar como grande plataforma de fomento, não somente para os
investimentos previstos para o território nacional, mas, para toda a
América do Sul. Tal posição foi reafirmada mais recentemente, durante a
“Primeira Rodada de Consultas para a Construção da Visão Estratégica
Sul-Americana no Brasil”, ocorrida em novembro de 2005, quando o então
presidente do BNDES, Guido Mantega (atual ministro da Fazenda), apresentou
a posição oficial de que o desenvolvimento dos países sul-americanos exige
a constituição de uma infra-estrutura integrada que, por sua vez,
necessita de financiamento. Por isso, o banco de desenvolvimento
brasileiro “incorporou à sua missão este objetivo estratégico, atuando
como órgão financiador da integração da América do Sul” (BNDES, 2005). Na
seqüência de seu discurso, Mantega apresentou a carteira de projetos
financiados e em operação naquele momento:
País/ Projeto Financiamento em US$
|
Projetos |
Em US$ |
|
ARGENTINA
TGS - Gasoduto San Martín
TGN - Gasoduto Norte |
237.000.000
200.000.000
37.000.000 |
|
CHILE
Ampliação Metrô de Santiago |
153.222.000
153.222.000 |
|
EQUADOR
Aviões Embraer para TAME
UHE San Francisco |
304.565.000
61.600.000
242.965.000 |
|
PARAGUAI
Ruta 10 |
77.000.000
77.000.000 |
|
VENEZUELA
UHE La Vueltosa
Linha 4 Metro Caracas
Linha 3 Metro Caracas
Moderniz. Prod. Maiz y Ganado / Fondafa II |
326.400.000
121.000.000
107.500.000
78.000.000
19.900.000 |
Fonte: www.bndes.gov.br
Total Integração América do Sul 1.098.187.000
Um outro material gráfico da Rede Brasil (2006) retrata os compromissos
internacionais e o papel desempenhado pelo BNDES em relação à IIRSA. A
Rede Brasil informa que o BNDES é financiado pelo BM e pelo BID e, também,
por bancos estatais estrangeiros, do Japão, da Alemanha, entre outros
países. Como não há de se esperar que estas linhas externas de
financiamento tenham um caráter filantrópico, ainda mais quando se trata
de competição entre grandes blocos de capital, não fica difícil de
imaginar (o banco público de fomento não tem sido transparente o
suficiente para que se possa aferir precisamente suas principais
operações) o papel estratégico do BNDES na realização dos projetos que são
orientados pelas agências multilaterais ou mesmo por agências oficias das
grandes potências mundiais.
“No âmbito regional, o BNDES tem relações estratégicas com fundos tais
como a Corporación Andina de Fomento (CAF). Esta entidade é uma
instituição financeira multilateral com sede em Caracas, na Venezuela, que
objetiva apoiar o desenvolvimento e a integração física dos países
membros. No final de 2005, o BNDES e a CAF assinaram um memorando de
atuação conjunta, com base no qual poderão co-financiar projetos em 17
países da América do Sul e Caribe. Esta parceria se revela estratégica
para a alavancagem de projetos de infra-estrutura (energia, transportes,
hidrovias) no âmbito da chamada Iniciativa para a Integração da
Infra-estrutura Regional Sul-americana (IIRSA). Vários dos projetos sob a
IIRSA se adequam a um modelo predatório de exploração de recursos naturais
para exportação, franqueando a mercados estrangeiros o acesso a riquezas,
frequentemente destruindo o meio ambiente e a vida de comunidades e em
nada contribuindo para o desenvolvimento social e ambientalmente
sustentável” (REDE BRASIL, 2005: 18).
Além das fontes de financiamento as empresas estatais brasileiras também
têm papel destacado na realização da IRSSA a partir de investimentos
diretos no Brasil e em outros países da América do Sul. De um lado,
observa-se o importante papel desempenhado pelas empresas do Grupo
Eletrobrás Centrais Elétricas Brasileiras S.A., dentro dos projetos de
construção do complexo hidrelétricas-hidrovias. Tais iniciativas favorecem
especialmente as empresas mineradoras, instalas e em ampliação na
Amazônia, cuja produção apresenta a energia elétrica como principal
componente de seus custos operacionais. Assim, a proposta é converter os
recursos hídricos abundantes da região em fontes energéticas de baixo
custo, associada à realização do potencial hidroviário de transporte da
produção.
De outro lado, destaca-se o Grupo Petrobrás como uma plataforma
fundamental na implantação da IIRSA. A abertura do capital da estatal
brasileira do petróleo levou-a a operar como uma grande concorrente
multinacional da indústria petroleira na região. Na defesa dos interesses
de seus acionistas, nacionais e estrangeiros (O Estado Brasileiro, apesar
de manter pouco mais da metade das ações com direito a voto, detém apenas
32,2% do capital social total da Petrobrás após sua privatização parcial),
a Petrobrás tem expandido sua atuação regional, como qualquer outra
empresa privada, inclusive deixando de cumprir em outros países os
condicionantes ambientais que o Estado Brasileiro exige nas operações com
petróleo e gás natural aqui no Brasil.
Além do Brasil, a Petrobrás atua em pelo menos outros nove países da
América do Sul. Cabe destacar, a título de ilustração, o caso do Equador
sobre os conflitos gerados pela Petrobrás com as comunidades indígenas,
pois, boa parte de suas operações ocorrem dentro da Reserva da Biosfera
Yasuní.
“Está casi enteramente en la Reserva de la Biosfera Yasuní, afectando
tanto al Parque Nacional yasuní, como a la Reserva Étnica Huaorani. Limita
en su parte sur con la zona intangible, y parte del Bloque constituye
territorio de migración de las comunidades indígenas sin contacto Tagaeri
y Taromenani Con fecha 25 de agosto del 2004, y coincidiendo con la
llegada del Presidente de Brasil, Luis Inacio Lula da Silva, el Ministerio
del Ambiente otorgó uma Licencia Ambiental a la empresa nacional brasileña
Petrobrás, para la fase constructiva del proyecto para el Desarrollo y
Producción del Bloque 31, a través de los campos Nenke y Apaika, la misma
que debía sujetarse al Estudio de 20 Impacto Ambiental (EIA) y Plan de
Manejo Ambiental aprobado. El EIA fue aprobado a pesar de las terribles
falencias que tenía, y que lo hacía completamente inaceptable,
especialmente si pensamos que iba a ser aplicado en una zona de extrema
fragilidad ecológica. Posteriormente, en marzo del 2005, se otorga una
nueva licencia ambiental a Petrobrás, esta vez para que pueda talar más de
20 mil metros cúbicos de árboles, procedentes de los bosques vírgenes del
Yasuní, para que la empresa pueda abrir sus carreteras y vías de acceso, y
construya dos plataformas petroleras, de cada una de las cuales se
perforarán 12 pozos para extraer el crudo de las entrañas del Yasuní. Se
le cobra por destruir esta zona del Yasuní, la irrisoria cantidad de
60.000 dólares. El Bloque 31 se encuentra en el corazón del Parque
Nacional Yasuní. El propio EIA reconoce que la carretera y oleoducto que
pretende construir Petrobrás atravesará bosque maduro sobre colinas,
llanuras aluviales, atraviesa 8 cruces de ríos, 110 pantanos. Esta ruta es
la que posee mayor biodiversidad tanto de fauna como de flora. Contiene
varias especies endémicas y en peligro” (OILWATCH, 2005: 19).
As atuais posições políticas dos governos venezuelano e boliviano têm
provocado grandes conflitos de interesses entre as estatais do petróleo
daqueles países e a Petrobrás, abrindo a possibilidade de abertura de uma
nova abordagem para o papel que esta e as demais empresas estatais
brasileiras desempenham na região, especialmente no que tange às
perspectivas de debater um modelo diferenciado de integração regional.
Condições políticas internas para a integração
Após as aventuras macroeconômicas do governo Sarney e as desventuras
faraônicas do governo Collor de Mello o discurso político procurou
demonstrar um Brasil que renascia para um forte período de
redemocratização e de nova inserção internacional. Entretanto o que se viu
foi uma nova acomodação de interesses que combina, até os dias de hoje,
uma forte abertura comercial, uma total desregulação no controle dos
fluxos de capital, a privatização de empresas e serviços públicos, um
severo controle sobre os níveis salariais, a flexibilização das relações
de trabalho, a precarização da proteção social, tudo isso combinado a uma
nova abordagem de integração econômica regional. Ao lado de todos os
esforços da propaganda oficial e da mídia oligopolizada, a realização
desse projeto de integração imperialista tem contado com uma drástica e
decisiva alteração no posicionamento das principais lideranças do
movimento sindical brasileiro, no mesmo período.
A implantação do Plano Real (em 1994) contou com duas características
principais. De um lado, a montagem de um grande aparato de propaganda, com
grande contribuição da intelectualidade e do jornalismo, inclusive de boa
parcela das assessorias do movimento sindical; e, de outro lado, o
recrudescimento das relações repressivas sobre o movimento social. Toda
essa preparação teve como principal resultado a implementação do Plano
Real sem que houvesse qualquer perspectiva de organização de greve geral
por parte do movimento sindical. Iniciativas reivindicatórias isoladas
ocorreram, mas, foram logo dizimadas, inclusive com a intervenção
judicial, que sentenciava pesadas multas para os sindicatos das categorias
de servidores públicos e de empregados em empresas estatais, mais
organizados naquele momento.
Era a primeira vez, depois da implantação de uma série de planos de
estabilização monetária, que os sindicatos não conseguiam organizar uma
greve geral no Brasil. O interessante é que o Plano Real constituiu a
imposição de um sistema de conversão de preços em geral e salários, em que
a classe trabalhadora brasileira perdeu demasiadamente em relação aos
planos de estabilização anteriores. E as medidas que seguiram à alteração
do padrão monetário ainda foram muito mais cruéis, pois implicavam na
necessidade de fortes cortes nos gastos sociais do governo, na degeneração
do sistema de proteção social, com forte onda de desemprego, provocada
pela abertura comercial e pela reestruturação das empresas que passaram a
ser vendidas para o capital multinacional.
As principais lideranças sindicais não conseguiram resistir nas
trincheiras traçadas desde a criação do chamado “Novo Sindicalismo” e
sucumbiram na adesão às novidades que eram impostas ao mundo do trabalho
pelas novas regras do jogo. Cada vez mais o movimento sindical foi
perdendo as perspectivas de organização da classe trabalhadora, no sentido
de seu fortalecimento para enfrentar as contradições do capital e para a
construção de sua emancipação. Os principais sindicatos passaram a
defender princípios vinculados a abertura de espaços na sociedade, mas,
dentro de uma visão estreita, burguesa, da busca de direitos a uma suposta
cidadania, em plena era de consolidação das idéias e das políticas
neoliberais. Além disso, durante todo esse processo, muitas lideranças
sindicais abandonaram de vez as atividades sindicais e passaram a se
ocupar de atividades partidárias, ocupando cargos importantes em
administrações públicas, enquanto algumas outras foram gerenciar fundos de
pensão, cooperativas de crédito, entre outras ocupações alheias à
organização da classe trabalhadora brasileira.
Essa situação ficou mais explícita ainda com a posse do presidente Lula em
2003. Se da parte do governo, os ex-sindicalistas no poder passaram a
adotar as políticas neoliberais que antes atacavam, em boa parte dos
movimentos sociais ampliou-se ainda mais as perspectivas de busca da
cidadania, dentro da ordem burguesa, acreditando num processo gradual de
conquistas sociais. Nessa linha, lideranças de uma parcela significativa
do movimento popular atacam as políticas neoliberais, e inclusive rebatem
alguns instrumentos mais violentos da atual política externa dos Estados
Unidos, mas parecem se contentar com a continuidade e a ampliação das
medidas assistenciais do governo brasileiro, mas, sem perspectivas de
retomada da luta anticapitalista. A reeleição do presidente Lula em 2006
reacende nessa parcela da militância popular a esperança de um mandato
renovado, montado sobre bases mais sensíveis aos apelos por melhorias na
qualidade de vida das camadas populares, crentes de que não existe
possibilidade de ações mais ousadas, na linha de grandes alterações na
atual estrutura social.
Nesse quadro político ficam ainda mais confortáveis as agências de
promoção do imperialismo na apologia de suas propostas de integração.
Muitos intelectuais da esquerda, inclusive, defendem a política externa do
atual governo brasileiro, argumentando que nunca o país esteve tão voltado
para a consolidação da integração econômica regional, sem, contudo
refletir sobre a qualidade efetiva desses acordos de cooperação e de
liberalização comercial, fundados na idéia de se constituir uma grande
economia, competitiva, a partir da integração das Américas.
Contudo, a formação de novos movimentos sociais no Brasil parece fomentar
uma contraposição ao papel desempenhado pela maioria sindicalista nos dias
atuais. A Rede Brasil sobre Instituições Financeiras Multilaterais, por
exemplo, tem apresentado um trabalho interessante, exatamente por
possibilitar a identificação dessas novas formas de organização da
militância social, cujos interesses estão também vinculados às formas de
superexploração do trabalho, especialmente no campo, mas, também, às
condições básicas de qualidade de vida. O trabalho da Rede Brasil tem
atraído para seus debates, reuniões e cursos de formação, tanto o
Movimento dos Atingidos por Barragens (hidrelétricas), quanto a Via
Campesina, a Rede Alerta Contra o Deserto Verde (que atua contra as
monoculturas do eucalipto e pinus), a Marcha Mundial das Mulheres e vários
outros agrupamentos de ecologistas e militantes sociais. Movimentos estes
que procuram organizar as famílias trabalhadoras imediatamente atingidas
pelos impactos provocados pelas políticas de integração física regional e,
por isso mesmo, trazem a possibilidade de resistência e, quiçá, de busca
de outras formas de relacionamento internacional dos povos
latino-americanos.
Por uma outra integração
Solidariedade internacional pode combinar com algum modelo de integração?
Vendo a coisa da forma descrita anteriormente, percebe-se que o atual
discurso da mídia, que clama ao governo federal que resguarde os
interesses do Brasil nas negociações com a Bolívia e a Venezuela, por
exemplo, nada tem a ver de fato com o apego à nacionalidade e muito menos
com a ação diligente da imprensa nacional na proteção dos direitos do povo
brasileiro. Trata-se, na verdade, de cobrar que o Estado nacional
capitalista cumpra as funções que sua própria natureza lhe impõe,
especialmente aquela de garante do processo de acumulação, mesmo diante de
todas as suas contradições. Considerando a posição subordinada do
desenvolvimento capitalista no Brasil, essa função primordial da
acumulação exige também a garantia de perpetuação da transferência de
riquezas para os grandes centros imperialistas, inclusive em forma de
lucros, de juros ou em outras formas de renda. Dada a dimensão estratégica
do Brasil na América Latina, adiciona-se às funções acima a de servir de
correia de transmissão para a realização do imperialismo em toda essa
região do planeta, contribuindo para a subordinação da soberania de cada
uma das nações latino-americanas aos interesses do grande capital. Aqui
não cabe pensar em qualquer forma de solidariedade.
Pensar numa integração globalizante, fundada no desenvolvimento
ambientalmente sustentável, nos direitos humanos, na emancipação de
gênero, no direito à imigração, nos direitos dos povos indígenas e
quilombolas, enfim, no direito à livre manifestação da diversidade
cultural que tanto orgulha à América Latina, pressupõe a superação das
relações fundamentais, que mantêm esses povos vinculados ao regime
mercantil da exploração do trabalho.
A alternativa? Certamente, recuperar as proposições de uma outra
integração, com base na autodeterminação dos povos, que resgate o conceito
de soberania, fundada num outro padrão de produção, de distribuição e de
consumo, bem distante das marcas fundamentais do mercado capitalista. Ou
seja, uma integração que parta do princípio da superação de qualquer forma
de exploração.
Referências bibliográficas
Marini,
Ruy Mauro. Dialética da dependência. In: SADER, Emir (Org.). Dialética da
dependência: uma antologia da obra de Ruy Mauro Marini. Petrópolis: Vozes;
Buenos Aires: CLACSO, 2000. p. 105-65.
BNDES. Integração da infra-estrutura da América do Sul. nov./2005.
Brasil
(et. Al.). Comunicado de Brasília.
IBASE. Entrevista: Margarita Florez. 22/set./2006..
OILWATCH. Explotación petrolera em la reserva de la biofesra Yasuní.
Disponível em <www.oilwatch.org>.
Rede Brasil sobre instituições financeiras multilaterais. O BNDES visto
pela sociedade civil. Brasília : REDE BRASIL, 2006.
Said,
Magnólia. FMI, Banco Mundial e BID: impactos sobre a vida das populações.
Fortaleza : [s.n.], 2005.
Helder Gomes é mestre
em Economia pela UFES (Brasil) e consultor da Coopemult Consultoria.
Publicado por RedeBrasil, 2006. Se reproduce en nuestro sitio únicamente
con fines informativos y educativos.
|